Longa-metragem “Mãe Bonifácia” estreia em 31 deste mês com entrada gratuita no Cine Teatro Cuiabá
Produzido com recursos do edital Cinemotion de Produção Audiovisual – edição Lei Paulo Gustavo (LPG), da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o longa-metragem de ficção “Mãe Bonifácia”, estrelado pela atriz Zezé Motta, será exibido pela primeira vez na próxima terça (31.3), no Cine Teatro Cuiabá, a partir de 19h30. A entrada é gratuita.
A obra, dirigida por Salles Fernandes, foi gravada entre abril e julho de 2025, em uma chácara de Sorriso, município onde mora o diretor. A produção conta com artistas da região, como Elina Souza, Ivan Belém e Eloá Pimenta. A protagonista do filme diz que se entusiasmou com a história de Mãe Bonifácia. “Fico mais entusiasmada ultimamente com esse tipo de personagem. Na minha juventude fiz muito, com exceção de Chica da Silva, mulheres submissas, serviçais. O que gostei na Mãe Bonifácia é que é uma mulher empoderada. Uma experiência gostosa que ficou com gosto de quero mais”, destaca Zezé, em vídeo publicado no Instagram do filme – confira aqui.
A ideia de fazer o filme surgiu após Salles Fernandes ler a história da mulher homenageada com o nome no Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá. Alforriada, Mãe Bonifácia viveu na capital mato-grossense no fim do século XIX e ajudou a criar quilombos para esconder escravos da perseguição. Também era conhecida como curandeira e benzedeira. “Formou-se um quilombo para ajudar, onde fica atualmente o bairro Quilombo. Queremos que o público entenda a nossa mensagem, construída com muito respeito a esta figura histórica de Mato Grosso, de Cuiabá. Este filme é uma homenagem a Mãe Bonifácia”, destaca o diretor.
Símbolo de coragem e resistência, Mãe Bonifácia ficou conhecida por acolher e cuidar de escravizados fugitivos. Também os orientava e indicava caminhos seguros para que alcançassem a liberdade em outros quilombos formados no interior. Tanto que ficou conhecida como a “Mãe” deles. Tratava da saúde dos escravos fugitivos com ervas medicinais. “A construção da participação da Zezé Motta foi algo bem interessante. Hoje ela tem este privilégio merecido de escolher o papel em que quer trabalhar. Então a Zezé hoje, devido a idade, com mais de 80 anos, escolhe o papel que ela quer fazer”, destaca o diretor.
Segundo ele, ao conhecer a história da personagem que interpretaria, Zezé declarou: “Me identifiquei com a personagem, quero viver esta história e quero que o Brasil a conheça!”. E reforça, “ter uma atriz como ela no papel é maravilhoso. A Zezé tem mais de 60 anos de carreira, é realizador”, reforça Salles Fernandes.
Ele revela que, além do desafio de construir todo o figurino, objetos de cena e adereços, houve outro maior: reconstruir a Cuiabá do século XIX, com base em fotos da arquitetura da cidade à época dos fatos narrados. “Reconstruímos também a casa dela, de como a gente imagina que seria naquela época a casa de uma pessoa com as condições que ela tinha. Então ficou aconchegante como a gente queria, uma casa construída na beira do rio. Foi algo desafiador para nossa produção, mas o resultado ficou incrível”, avalia.
Salles Fernandes é cineasta com importante trajetória no audiovisual independente e reconhecido em festivais nacionais e internacionais. Antes do primeiro longa da carreira, o diretor acumulou premiações com curtas-metragens exibidos em festivais no Brasil e no exterior, como “Tereza de Benguela” e “Minhocão do Pari – a origem da lenda”, que conquistaram reconhecimento em países como Canadá, Espanha e Chile.
Para Salles Fernandes, levar a história para a tela é um sonho que nasce no interior e ganha o mundo. “Mãe Bonifácia é um filme que carrega identidade e resistência. A expectativa é muito grande para esse primeiro encontro com o público”.
A estreia também gera expectativa em relação à presença de Zezé Motta. A presença em Cuiabá ainda não está confirmada em virtude de compromissos profissionais, mas existe a possibilidade de que ela prestigie a exibição junto ao elenco e equipe do filme.
Edital
O edital Cinemotion de Produção Audiovisual – edição Lei Paulo Gustavo (LPG), promovido pela Secel, viabilizou uma animação, um documentário e quatro ficções, entre as quais o premiado filme “Cinco Tipos de Medo”. Com investimento total de R$ 16 milhões, o maior de todos os editais da Lei Paulo Gustavo em Mato Grosso viabiliza também a produção de quatro minisséries mato-grossenses: a animação “Florifluto”, o documentário “Gente do Xingu” e as ficções “Fica Perto” e “Portão do Inferno – Casos Arquivados”.
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